domingo, 31 de janeiro de 2010

A era do agronegócio sustentável


Mais do que um diferencial, produzir com sustentabilidade no campo já é a chave para abrir portas em mercados mais exigentes e eliminar barreiras não tarifárias. E o que num primeiro momento parece ameaça se transforma em uma oportunidade.O fracasso da conferência do clima pelo argumento de algumas das principais potências que teriam pesado prejuízos econômicos caso tivessem de realizar grandes cortes nas emissões causadoras de efeito estufa não se aplica ao agronegócio brasileiro. A agricultura e a pecuária do país, sustentam pesquisadores, só têm a ganhar ao adotar técnicas conhecidas e consideradas simples que, ao mesmo tempo, mitigam a liberação de gases causadores do aquecimento global e elevam a produtividade das propriedades.Para o superintendente do Instituto para o Agronegócio Sustentável (Ares), Ocimar Villela, o marco do início da pressão sobre o Brasil foi a recusa da Europa de adquirir carne bovina produzida em áreas desmatadas, há cinco anos. Em 2006, foi a vez da chamada Moratória da Soja, o que levou as indústrias de óleo vegetal a se comprometerem em não adquirir o grão de lavouras abertas com derrubadas de floresta do bioma amazônico. A bola da vez é a pecuária, com a Moratória da Carne.Participante de um estudo sobre as emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa na agricultura, o pesquisador Carlos Eduardo Cerri, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), diz que grande parte do agronegócio brasileiro é hoje forçado a adotar práticas corretas.– Para se exportar etanol, é preciso estar de acordo com uma série de aspectos de sustentabilidade social e ambiental. São barreiras não tarifárias que criam para o Brasil. O mesmo com o suco de laranja, que concorremos com os Estados Unidos, e com o café – ilustra Cerri.Na opinião de Villela, em breve o produtor que desrespeitar a natureza não terá apenas dificuldade de comercialização. Segundo ele, o sistema financeiro irá cada vez mais observar regras de sustentabilidade ambiental e social no momento de analisar a liberação de crédito.– As propriedades também terão de ter uma gestão socioambiental, com controle dos efluentes, reciclagem de embalagens de agrotóxicos e respeito a direitos trabalhistas. O mercado financeiro também quer, de alguma forma, mostrar que está contribuindo para o controle de emissões – diz.A questão do desmatamento, acrescenta Villela, é só o começo. Chegará também a hora em que o produtor se verá impelido a adotar técnicas que diminuam emissões, como o plantio direto, a integração lavoura-pecuária, a recuperação de pastagens degradadas e o confinamento.– Apenas agora as emissões da agropecuária vêm sendo discutidas de forma mais profunda. Antes, a preocupação era apenas com as florestas – destaca o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária Giampaolo Pellegrino, que esteve na conferência climática de Copenhague.

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